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Apenas um exercício ativa o corpo todo: ideal para quem tem mais de 50 anos e pouco tempo.

Mulher a fazer exercício de agachamento numa sala iluminada, com plantas, halteres e cadeira ao fundo.

Ele tem 57 anos, são 7h12, e tem exatamente 18 minutos antes da primeira videochamada. Olha para as filas de máquinas brilhantes lá dentro, todas a prometer melhor saúde… e muita confusão. Por onde é que se começa quando os joelhos rangem, as costas reclamam e o cérebro já está em modo trabalho?

Não tem tempo para um “programa”.
Mal tem tempo para um café.

O que ele precisa é de um movimento. Um exercício que, discretamente, faça o trabalho pesado por todo o corpo, sem exigir uma nova agenda de vida. Entra, faz ao treinador uma pergunta simples, e ouve uma resposta que parece quase boa demais para ser verdade.

“Se só fizer uma coisa”, diz o treinador, “faça isto.”

Porque é que um único movimento pode sustentar o seu corpo depois dos 50

Entre em qualquer ginásio em hora de ponta e vê-se logo: pessoas a saltar de máquina em máquina, meio distraídas, meio exaustas. Quem tem mais de 50 anos parece muitas vezes o mais perdido, preso entre o medo de se magoar e a sensação de que “devia estar a fazer mais”. A ironia é cruel. Precisamente na idade em que o tempo e a recuperação são limitados, o mundo do fitness atira-lhe uma dúzia de opções em vez de um caminho claro.

E, no entanto, o seu corpo, depois dos 50, não pede complexidade. Pede sinais. Sinais fortes e simples que digam: “Ainda precisamos de músculo aqui. Ainda usamos esta articulação. Não a desligues.” Um único exercício, feito com seriedade, pode enviar essa mensagem dos tornozelos até à força de preensão.

Esse exercício tem muitos nomes, muitas variações. Mas a ideia é sempre a mesma: pega-se em algo do chão… e fica-se de pé, erguido.

Imagine a Clara, 62 anos, antiga enfermeira, especialista ao longo da vida em cuidar dos outros e especialista em adiar as próprias necessidades. O último treino “a sério” foi algures por volta de 2004. Quando fez 60, prometeu a si mesma que ia “voltar a ficar em forma”. Dois anos depois, dava por si sem fôlego a levar sacos das compras por um lanço de escadas. O sinal de alerta não foi um susto no consultório. Foi um frasco de pickles.

“Eu não o conseguia abrir”, ri-se agora. “Durante cinco segundos senti-me com 90 anos.” Uma amiga arrastou-a para um pequeno ginásio de bairro, onde o treinador não falava de “corpo de praia” nem de “queimar gordura”. Falava de se levantar do chão. Carregar sacos. Pegar num neto ao colo. Mostrou-lhe um deadlift leve com kettlebell: pés bem assentes, costas compridas, ancas a moverem-se como uma dobradiça, mãos a agarrar um peso e a levantá-lo perto do corpo.

Três meses depois, não fazia circuitos elaborados. Fazia apenas aquele movimento, duas a três vezes por semana. A tensão arterial melhorou. A lombar doía menos. Conseguia pegar no neto sem prender a respiração. Tudo a partir de um ritual simples que demorava menos de 15 minutos.

Porque é que um movimento como a dobradiça da anca (hip hinge) ou o deadlift funciona de forma tão abrangente? Porque fala a língua que o corpo inteiro entende: coordenação. Quando dobra na anca, mantém a coluna estável, ativa o core, pressiona os pés contra o chão e puxa com as mãos, está a recrutar uma longa cadeia cinética. Glúteos, isquiotibiais, lombar, parte média das costas, antebraços, força de preensão, até os pequenos estabilizadores à volta da coluna recebem o recado.

O ritmo cardíaco sobe. A postura tem de se organizar. O cérebro treina equilíbrio e consciência espacial. Num só movimento, está a treinar força, mobilidade e um tipo de foco calmo. Depois dos 50, essa combinação é ouro. Não está a tentar ser culturista. Está a ensinar o seu corpo a não “encolher” antes de tempo.

E está a recuperar a ação humana mais básica: pegar em algo do chão com segurança.

O exercício único: como o fazer se tem mais de 50 anos e pouco tempo

Aqui está o movimento na versão mais simples e amiga de quem tem mais de 50: o deadlift de mala (suitcase deadlift) com um haltere ou kettlebell. Fique ao lado de um peso como se fosse uma pequena mala no chão. Pés à largura das ancas. Leve as ancas ligeiramente para trás, dobre suavemente os joelhos, mantenha o peito aberto de forma natural (sem exagerar) e deslize uma mão ao longo da perna até à pega. Agarre o peso, empurre o chão com os pés e levante-se, mantendo o peso perto do corpo.

Imagine que está a “fechar o fecho” do corpo desde o chão: pés, pernas, ancas, costelas, cabeça. Sem puxões, sem torções. Apenas levantar-se de forma suave. Depois, coloque o peso no chão com o mesmo controlo, como se estivesse a pousar um bebé a dormir. Comece com 8–10 repetições por lado, dois sets. Só isso. Dá para encaixar entre o café a sair e o refresh do e-mail.

A magia não está em suar em bica. Está em repetir este movimento limpo e digno vezes suficientes para que o corpo se lembre dele quando a vida lhe atirar um objeto pesado.

Há algumas armadilhas clássicas que fazem quem tem mais de 50 desistir depressa. A primeira: pôr demasiado peso cedo demais, porque os pesos leves “parecem fáceis”. As articulações podem discordar amanhã de manhã. Comece leve, mesmo que o ego murmure ao fundo. O objetivo é acordar os músculos, não chocá-los. Outra armadilha: apressar as repetições como se fosse uma tarefa para despachar. Quanto mais corre, mais as costas levam o impacto em vez das ancas e das pernas.

E há ainda a armadilha do autojulgamento. A voz que diz: “Devia ter começado há anos, agora já é tarde.” Não está a fazer um casting para um filme de ação. Está a aprender a carregar a sua própria vida com um pouco mais de conforto. Seja gentil com a versão de si que o trouxe até aqui. Num dia mau, faça um set leve e considere isso uma vitória silenciosa.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. A vida vai atropelar o seu horário, a sua energia, a sua motivação. Por isso, pense a longo prazo. Ao longo de um mês, fazer este movimento 8–10 vezes conta muito mais do que fazê-lo “perfeitamente” numa semana intensa e depois parar.

“As pessoas sobrestimam o que conseguem fazer numa semana e subestimam o que conseguem reconstruir num ano”, diz um treinador de força que já treinou dezenas de clientes com mais de 50 anos. “Um exercício inteligente, repetido com paciência, bate qualquer plano complicado que acaba enfiado numa gaveta.”

Não precisa de um ginásio completo para isto funcionar. Um canto simples em casa chega.

  • Escolha um peso que se sinta como um saco cheio de compras, não como uma peça de mobiliário.
  • Pratique em frente a um espelho uma ou duas vezes para confirmar que as costas se mantêm compridas, não arredondadas.
  • Ligue-o a um hábito que já tem: depois do café da manhã, antes do duche, depois da pausa de almoço.
  • Se as costas se queixarem de forma aguda, pare e peça a um profissional para avaliar a sua técnica.

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