A mulher na farmácia nem sequer olhou para a Nivea ou para a Neutrogena.
Passou directamente pela parede de boiões azuis e brancos, parou em frente a uma prateleira mais pequena e pegou numa marca com a qual, provavelmente, não cresceu. O farmacêutico acenou, quase conspiratório, e disse: “Essa é a que os dermatologistas estão a recomendar agora.”
Idades diferentes, tipos de pele diferentes, o mesmo frasco. Sem publicidade vistosa, sem cartaz gigante - apenas um discreto passa‑palavra e muitos rostos muito secos no inverno.
No Google, as habituais listas de “melhor hidratante” ainda punham os grandes nomes históricos no topo. Na vida real, o guião estava a mudar.
O novo número um não era aquele em que fomos treinados para confiar.
A ascensão discreta da CeraVe: como uma marca de farmácia roubou o primeiro lugar
Dermatologistas por toda a Europa e nos EUA apontam cada vez mais para um nome quando lhes pedem um hidratante sem rodeios, que faz o que promete: CeraVe.
Nascida como um creme clínico, um pouco aborrecido, a meio dos anos 2000, transformou‑se no equivalente, no mundo do skincare, daquele amigo sensato que anda sempre com lenços e carregador de telemóvel na mala.
Em vez de prometer milagres, a CeraVe foca‑se em três ceramidas que reparam a pele, humectantes suaves como o ácido hialurónico e um sistema de libertação prolongada. Sem nuvem de perfume, sem frasco luxuoso a dominar a prateleira da casa de banho. Apenas um frasco grande e prático, com doseador, que dá para toda a gente em casa.
É precisamente isso que a destaca em 2026, numa altura em que as pessoas estão cansadas de rotinas complicadas e desconfiadas de filtros de “glow”. Um hidratante que trabalha como um burro de carga subitamente parece radical.
Olhe para os números. Em vários mercados, o creme hidratante da CeraVe ultrapassou gigantes tradicionais nas vendas de farmácia, sobretudo para pele seca e sensível. Em algumas drogarias dos EUA, os funcionários chamam‑lhe discretamente “o ouro azul e branco”, porque esgota sempre que chega uma vaga de frio. Online, aparece no topo de listas seleccionadas por dermatologistas no TikTok, no YouTube e em fóruns especializados.
Há também o factor hospital. Muitos serviços de dermatologia dão pequenas amostras de CeraVe a doentes com eczema, rosácea ou irritação pós‑tratamento. Esse tipo de presença nos bastidores molda a confiança muito mais do que uma cara famosa num outdoor.
E depois há o passa‑palavra: enfermeiros a recomendá‑la a colegas, mães a passá‑la à porta da escola, homens que nunca ligaram a skincare a jurar que “esta azul funciona mesmo”. É assim que um produto passa, silenciosamente, de “nicho médico” a “essencial de casa”.
Então porquê esta marca, neste momento? A fórmula cumpre os pontos que os especialistas repetem como um mantra: sem fragrância, apoio à barreira cutânea, preço acessível o suficiente para usar sem dó. A Nivea e a Neutrogena continuam a ter fãs fiéis, claro, mas as suas gamas são vastas, com opções muito perfumadas ao lado de outras mais suaves do ponto de vista dermatológico.
A CeraVe jogou um jogo diferente: menos produtos, posicionamento mais claro e foco na barreira cutânea muito antes de isso virar palavra‑chave no TikTok. Some‑se o facto de as texturas serem directas - nem demasiado gordurosas, nem demasiado “chiques” - e obtém‑se apelo amplo, de adolescentes com pele oleosa a secura pós‑menopausa.
Quando os especialistas comparam hidratantes hoje, ficam menos deslumbrados com histórias de marketing e mais interessados em: isto vai acalmar a inflamação? Funciona com tratamentos de prescrição? A pessoa comum vai mesmo aplicar quantidade suficiente? A CeraVe muitas vezes ganha essa conversa - discretamente, mas de forma consistente.
Como usar o “novo número um” para que ele mude mesmo a sua pele
Pegar no boião certo é só metade da história. A forma como aplica o hidratante pode mudar tudo. Os especialistas repetem a mesma regra simples: aplique sobre pele ligeiramente húmida, não completamente seca. Ou seja, depois de limpar, seque o rosto com uma toalha a toques, deixe‑o um pouco húmido e, em seguida, aplique uma quantidade generosa de creme ou loção.
Isto ajuda os humectantes da CeraVe - como o ácido hialurónico e a glicerina - a puxarem a água que ficou e a “prendê‑la” com as ceramidas. É uma pequena mudança no timing que pode ser a diferença entre “é agradável, acho eu” e “a minha pele finalmente deixou de ficar repuxada às 16h”.
E não se esqueça do corpo. Muitos dermatologistas até preferem o boião grande de corpo para tudo, das canelas às mãos lavadas em excesso. O truque é usar mais do que acha que precisa e espalhar rapidamente, como se estivesse a cobrir um bolo morno com glacé.
Aqui vai a outra verdade pouco glamorosa: consistência vence complexidade. Uma camada generosa de CeraVe em pele húmida, de manhã e à noite, costuma superar uma rotina de sete passos que está sempre a abandonar. Na prática, isso significa deixar o frasco onde os seus hábitos já estão - ao lado da escova de dentes, na secretária, junto ao lava‑louça.
A nível humano, significa perdoar‑se nas noites em que cai na cama sem fazer “tudo direitinho”. A pele não reinicia numa única noite; ela guarda o padrão das últimas semanas.
Por isso, se falhar um dia, recomece na manhã seguinte - não com culpa, mas com curiosidade.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Aquele ritual nocturno completo que se vê nas redes sociais? A maioria dos dermatologistas revira os olhos. Preferem que use um hidratante sólido com regularidade do que andar a perseguir o sérum da moda uma vez por semana.
“As pessoas chegam com dez produtos e uma barreira cutânea completamente irritada”, disse‑me um dermatologista de Londres. “Preferia que saíssem daqui com um boião grande de hidratante e a promessa de o usar mesmo duas vezes por dia.”
Quando os especialistas falam do “novo número um”, não querem dizer que a CeraVe é magia. Querem dizer que se dá bem com a vida real. Pode estar na prateleira da casa de banho ao lado da lâmina do seu parceiro e do gel de banho do seu filho e continuar a fazer sentido para toda a gente. Isso é raro.
- Use o Creme CeraVe para pele muito seca ou de inverno; a Loção para pele normal a ligeiramente oleosa.
- Aplique sobre pele húmida até 3 minutos após a lavagem.
- De manhã, combine com protector solar, especialmente no rosto e pescoço.
- Tenha um tubo pequeno no trabalho para “salvar” mãos e cutículas.
- Se a pele arder, pause os activos (retinóides, ácidos) e apoie‑se no hidratante durante uma semana.
O que esta mudança diz sobre nós - e porque a história ainda não acabou
À superfície, a ascensão da CeraVe parece apenas mais uma tendência de produto. Por baixo, conta uma história mais silenciosa sobre o que queremos do espelho. Estamos a afastar‑nos de cremes fantasiosos que prometem juventude eterna e a aproximar‑nos de fórmulas que respeitam a pele como um órgão que se irrita, se cansa e fica sobrecarregado.
Escolher um hidratante assim é uma pequena rebelião: contra a venda de inseguranças, contra a ideia de que boa pele pertence só a quem tem dinheiro, contra rotinas que parecem trabalhos de casa. Numa terça‑feira à noite, cansado, pegar num creme simples e sem fragrância é quase um acto de auto‑protecção.
Todos já tivemos aquele momento em que olha para o reflexo depois de um dia longo - manchas vermelhas, bochechas repuxadas, máscara borratada - e pensa: “Só queria que o meu rosto voltasse a sentir‑se como meu.” As marcas que ganham agora são as que entendem isso. Não a gritar sobre empowerment, mas a fazer, em silêncio, produtos que reduzem o “ruído” que a pele está a fazer.
Os especialistas sabem que a CeraVe não vai funcionar para absolutamente toda a gente. Algumas pessoas vão achá‑la demasiado rica, outras podem preferir uma textura mais elegante ou outro perfil de ingredientes. Alergias e particularidades individuais continuam a existir. O que está a mudar é a linha de base: a fasquia do que conta como um hidratante genuinamente “bom” subiu, e fórmulas amigas da barreira cutânea e sem fragrância são o novo ponto de referência.
Talvez daqui a cinco anos outro frasco aparentemente banal ocupe o lugar de favorito discreto nas farmácias. O que ficará é esta lição, dita por dermatologistas e utilizadores: saúde da pele vence nostalgia de marca. Quer fique com a sua lata azul de sempre, mude totalmente para a CeraVe, ou acabe noutro produto, a pergunta mudou.
Já não é “Que marca é que a minha mãe usava?”, mas “Que fórmula permite que a minha pele acalme e siga com a vida?” É uma conversa que acontece em espelhos de casas de banho, em threads do Reddit, em grupos de chat. É mais confusa do que um ranking certinho - e muito mais interessante de ver a desenrolar‑se.
| Ponto‑chave | Detalhe | Interesse para o leitor |
|---|---|---|
| A CeraVe é a nova favorita dos especialistas | Dermatologistas colocam‑na acima das clássicas Nivea/Neutrogena para a maioria das peles secas e sensíveis | Ajuda a encurtar listas intermináveis de “melhores” e a experimentar o que os especialistas realmente usam |
| Apoio à barreira cutânea em vez de perfume | Fórmulas com ceramidas e sem fragrância são agora o padrão‑ouro | Reduz o risco de irritação e torna as rotinas mais simples e seguras |
| A técnica importa tanto quanto o produto | Aplicar sobre pele húmida, de forma generosa e consistente, transforma os resultados | Permite tirar mais proveito de cada frasco sem gastar mais dinheiro |
FAQ
- A CeraVe é mesmo “melhor” do que a Nivea ou a Neutrogena? Não para toda a gente, mas muitos dermatologistas preferem hoje as fórmulas sem fragrância e ricas em ceramidas da CeraVe para pele sensibilizada ou com barreira comprometida. O “melhor” vem do apoio à barreira cutânea e da boa tolerabilidade para muitas pessoas.
- Com que hidratante da CeraVe devo começar? Se a sua pele é muito seca ou se vive num clima frio, comece pelo Moisturizing Cream (no boião ou com doseador). Para pele normal a ligeiramente oleosa ou em climas húmidos, a Moisturizing Lotion costuma ser suficiente. Para o rosto, muitos gostam da Facial Moisturizing Lotion PM (sem protector solar) à noite.
- Posso usar CeraVe numa pele com tendência acneica? Sim, desde que escolha texturas mais leves e evite sobrepor produtos pesados. Muitos doentes com acne usam CeraVe em conjunto com tratamentos de prescrição porque ajuda a acalmar a secura e a irritação sem obstruir poros na maioria dos utilizadores.
- Ainda preciso de séruns se usar um hidratante forte? Não necessariamente. Um bom hidratante que sela a hidratação e apoia a barreira já cobre muita coisa. Séruns são opcionais para objectivos específicos (manchas, rugas), mas podem correr mal se a pele já estiver irritada.
- Quanto tempo até perceber se está a funcionar comigo? Dê duas a quatro semanas de uso regular. Procure menos repuxamento, menos descamação e uma sensação geral mais calma. Se sentir ardor, vermelhidão persistente ou borbulhas que pioram claramente, pare e fale com um dermatologista.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário